Batismo de Beleza

“Quem sai aos seus não degenera.”

Este ditado é certíssimo. Saí da barriga de uma mulher poderosa, forte e super, super vaidosa. Não dava para ser diferente! Desde pequena via fotos de minha mãe e ficava admirada com tanta vaidade, tantas poses sexys e tantos vestidos apertados para mostrar o corpinho lindo da mulher da década de 40/50. Cabelos enrolados (papelotes ou rolinhos para cabelos), lisos (touca), unhas vermelhas, assim ela me dizia que era, pois as fotos sempre foram em preto e branco. Uma mulher que sabia viver a vida. Na época participava de bailes de formaturas e sempre era chamada pelos cadetes por sua postura, sua segurança. E ser chamada por um cadete para dançar era uma das maiores honras de uma mulher solteira. Era a sorte grande nos bailes regados ao som da orquestra Tabajara.

Dançava pelos bailes com saias rodadas os tangos, rocks, salsa, valsa. Não tinha para ninguém conta minhas tias e amigos. Às vezes só dava ela no salão. De uma família de cinco irmãos, sendo quatro mulheres e um homem, minha mãe teve poucas roupas de baile. Ela reformava ou usava vestidos emprestados das amigas, mesmo que eles fossem repetidos. O importante era dançar, fazer o que mais gostava.

Não se casou com um cadete. Foi com um tenente, já na reserva. Meu pai. Foi uma linda noiva, mas minha mãe com os cabelos curtinhos, não tinha como segurar a longa grinalda. Sempre cheia de ideias, arranjou logo um jeito de prender o adereço com quatro rolinhos de cabelo com a parte mais cheia do cabelo que era na frente. Não é que deu certo? Fico até hoje procurando na foto os rolinhos e acho uma lenda, mas como minha mãe tem uma imaginação e solução para tudo, difícil não acreditar.

Meu pai era outro vaidoso. Adorava combinar as roupas e principalmente cheirar bem. Lembro de meu pai depois do banho. Espalhava água de cheiro por todo o corpo. Confesso que hoje, certamente ele levaria uma bronca, pois não precisava tanto, mas nunca soube de um homem tão mais cheiroso que ele.

Os dois formavam um casal maravilhoso. Minha mãe, nunca foi daquelas mulheres desleixadas depois do casamento e sempre usava a seguinte frase: “Se vai à padaria, não se esqueça de passar um batom, pois o príncipe encantado pode estar depois da esquina.”  Ela tem razão. Olheiras e cara lavada é a pior coisa do mundo.

E a vaidade só foi aumentando com o tempo. Nunca vi minha mãe sem estar com as unhas pintadas ou o cabelo desgrenhado.

Salões de beleza antigamente eram pequenos e raros. E a primeira lembrança que tenho é dela frequentando o Salão de um dos maiores cabelereiros que Niterói conhecia: o Dede’s cabelereiros. Eu o achava o máximo.

Ele lavava os cabelos de minha mãe, arrepiava com o pente e depois arrumava com as mãos, os negros cabelos afofando e fazendo um bonito coque no alto da cabeça. Como os penteados das mulheres do século XIX. Era chique demais.

Eu, com seis anos, e cabelos na cintura era tratada com carinho pelos cabelereiros aprendizes. Meu batismo foi no Salão dele, sendo tratada como uma princesinha e aprendendo com Dedé e com minha mãe que beleza você pode não ter, mas deve se tratar sempre, se amar, se cuidar. Eu adorava aquele burburinho de mulheres, conversando, trocando ideias, falando de suas vidas, de seus casamentos, de seus cabelos, de suas unhas, de seus filhos, enquanto se arrumavam.

Era uma agitação de alegria e ainda por cima, terapêutica. Noivas, mães de noivas, madrinhas, mulheres querendo se arrumar para casamentos, seus namorados, noivos, maridos ou somente para elas mesmas. Eu já achava terapêutico e acho até hoje. Chegava sempre no colégio na segunda-feira feliz da vida porque um dos meus programas favoritos era ir ao Salão de Beleza com minha mãe.

E foi assim que minha paixão por tudo que é ligado a beleza e a moda começou. Minha mãe mostrou que com pouco dinheiro e muita imaginação você pode se transformar e sempre diz: “Não existe mulher feia, existe sim mulher relaxada”. Gordinhas, magrinhas, devem se amar e amar seus corpos e sempre existirá uma roupa ideal, um sapato glamoroso, um batom espetacular, uma máscara para o rosto, a depilação certa que a deixará ou o deixará mais feliz.

Vejo homens felizes da vida no Salão que frequento hoje. Fazem unhas e se depilam para se acharem mais bonitos.  São pais de famílias e querem se sentir limpos e bem para eles e para suas amadas.

Então, mulheres e homens, vamos aprender a ser mais vaidosos. Eu posso ensinar a vocês! Os homens também podem ser vaidosos e eu vou mostrar como isto pode acontecer. Não sou estilista, mas sim uma excelente observadora, apaixonada por produtos de beleza, sapatos, bolsas, roupas e sempre atenta as melhores tendências. Um exemplo: quem disse que uma sandália de dedo não tem seu charme? Com o passar do tempo, irei postar no blog combinações super legais e ainda continuar a contar minhas histórias, algumas engraçadas e desastrosas para descobrir o que seria melhor para mim.

A ideia é esta, transformar este blog em um grande livro de crônicas e dicas divertidas e boas para ambos os sexos.

Sejam bem vindos e espero que gostem de minha nova jornada!

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12 respostas em “Batismo de Beleza

    • Obrigada amiga! Lembre-se, vc foi e tem sido a maior incentivadora para que eu lançasse algo do gênero. Eu só tenho que te agradecer!
      Beijos imensos no coração

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