A transformação de uma blogueira

Confesso, estava desesperada! Tem exatos dois meses que não saio de casa, pois minha mãe sofreu uma queda e quebrou o fêmur, justamente em um dia que eu voltava do lançamento de uma coleção outono/inverno 2014 da Aquamar, no Plaza Shopping de Niterói! Estava com convites para três noites de autógrafos, passagem marcada para o SPFW, 100 anos de Dorival Caymmi, com o relançamento do livro de minha amiga e neta deste grande homem, Stella Caymmi e tudo foi para os ares quando escutei a minha mentora de beleza e Diva: minha mãe, gritar e um estrondo horrível em casa.

Encurtando a história, ela quebrou o fêmur, passou por uma cirurgia, CTI e a volta para casa que eu pensei que seria mais leve, está sendo a pior fase de todas. Sou uma pessoa regrada com a beleza. Depois dos 45, a gente tem que se cuidar e muito bem para se sentir bem. E é exatamente o que faço. Salão de beleza para mim é Parque de Diversão. É um lugar sagrado! Me sinto super bem e tem exatos 10 anos que frequento o Walter’s Coiffeur, religiosamente, às sextas-feiras, para fazer as minhas unhas e de vez em quando fazer uma hidratação nos cabelos, conhecer as novidades para minhas madeixas, e retocar raíz e renovar os reflexos.

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Walter’s Coiffer é um templo de relaxamennto para mim. Entro lá e o mundo fica bem do lado de fora. Me sinto bem com as manicures e hairstyles, profissionais, todos de primeira linha, super bem treinados. Um ambiente que além de bonito, tem uma higienização que não deixa dúvidas. Escolhi este Salão primeiro procurando uma manicure boa e de confiança e encontrei a Patrícia Vieira. Ela é uma amiga que trata de minhas unhas com amor e a gente nota isto quando ela faz minha esmaltação. Detalhe: sou esmaltólatra (viciada em esmaltes) e tenho mais de 300 vidrinhos de todas as marcas do mundo e a cada semana levo 4 ou 5 entre nacionais e importados para que Patrícia escolha o que ela vai colocar em minhas mãos. Nos pés eu não abro mão, sempre um bege ou francesinha, pois tenho nervoso de pés pintados com cores escuras. Sempre quando pinto escuro, acho que meu pé chega primeiro em qualquer lugar. Nada contra quem pinta, este problema é meu! rsrsrsrsrs

Na mão já fiz até francezinha preta e amoooo! Sempre que lembramos Patrícia tira fotos de minhas unhas e posta em seu Face! Ela adora minhas unhas! Eu também, pois são cumpridas, mesmo estando no talo. Unhas das mãos e dos pés de meu pai. Uma boa heranças!

Minhas unhas estavam destruídas por cuidar da casa sozinha e de minha mãe. Patrícia me ligava de semana em semana, mas não estava conseguindo sair. Minha mãe estava muito fraquinha. Paciência! Mas o que estava me deixando desesperada, apesar de todos os cuidados e milhares de shampoos, máscaras, óleos de Argan, comprados no Walter’s e sempre aconselhada pela minha maravilhosa hairstyle Lu, não estava podendo sair de casa para poder retocar minha raiz. Uma blogueira que não estava podendo se cuidar, mas por motivos fortes e nobres!

imagePor toda a minha vida fui morena. Sempre dizia que amava meu ar muçulmano de ser. Mas comecei a ganhar cabelos brancos cedo. Já na casa dos 20 anos. Em 2010 eu estava loira, com reflexos, mas não tinha gostado do trabalho de minha antiga hairstyle. O cabelo estava ressecado e ela levava horas intermináveis para fazer reflexo e o outro Parque de Diversão estava se tornando um Parque chato e sem atrações. Conversei com Patrícia, com quem eu poderia entregar meus cabelos no Walter’s e ela me indicou a amiga Lu, uma amazonense, amante de livros, assim como eu. Foi paixão a primeira vista. Lu conversando comigo resolveu tirar o reflexo ressecado, repintou de escuro, hidratou e começou a me recomendar produtos para tratá-los. Fato que não acontecia com a outra. Notei que Lu estava sempre informada. Isto me agradou tremendamente. Meu cabelo estava um espetáculo. Sempre hidratado e brilhoso. Quando Luiza Brunet cortou seus cabelos bem curtos eu resolvi adotar o mesmo corte e amei. Lu conseguiu fazer mais bonito do que o dela. Vibrei!

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Um dia, que não me lembro exatamente, e depois de minha mãe torrar minha paciência para ficar loira, conversei com Lu e ela me aconselhou a modificar vagarosamente. Era uma modificação radical. Ela havia aprendido uma técnica chamada Ombré. Muitos confundem com Californiana, mas ela é bem mais bonita e diferente. Também não é reflexo! o Ombré vem do francês, e significa cabelo sombreado. Essa coloração mantém a raiz na cor original e clareia os fios a partir da orelha, de maneira sutil. Assim como nas californianas, as pontas ficam mais claras. A diferença é a questão da sombra. Ela faz o feito degradê. Podem ser usados até quatro tons, que se mesclam. O Ombré hair é menos agressivo porque não usa descolorante. E é democrático, pois morenas podem fazer sem medo. Basta optar pelas cores certas, de acordo com o tom da pele. Combine a cor com um corte em camadas, para formar o degradê. E foi assim que fizemos!

Hoje sou uma ex-morena, feliz com meu loiro e com a técnica Ombré, da L’Óreal, que a Lu aprendeu com o curso que o Walter’s Coiffeur fez com seus profissionais. Existe Ombré Ipanema, Arpoador e Leblon e eu escolhi o Leblon que era bem mais loiro nas pontas e na parte de cima escuro. Mas como achei que ficaria muito escuro, escolhemos um tom de mel para suavizar meu rosto. Perfeito! A primeira vez fiquei feliz demais! Na segunda vez disse: Lu, pode clarear mais! Pegue bem os pontos brancos.

E estou assim tem mais de um ano, feliz da vida! Me transformei em blogueira de moda, fiz algumas parcerias, incluindo com este maravilhoso Salão. Quando minha mãe teve sua queda, eu já estava na época de retocar a raiz e renovar o Ombré. Iria naquela semana marcar com minha hairstyle maravilhosa! Mas infelizmente, não deu!

Juro, o cabelo ficou preso todo o tempo! Crescendo, sendo tratado com os melhores shampoos, máscaras, condicionadores e óleos, mas é claro ficando com o que chamo trilha de Maria. Preto profundo no meio, com os reflexos descendo e os grisalhos aparecendo. Que vergonha, uma blogueira que está dando certo e assim, sem coragem de se olhar no espelho!

Até que pintou o convite para a noite de autógrafos da Miriam Leitão, no Shopping Leblon, em uma época que minha mãe já está no andador. Tinha chegado a hora de não recusar o convite e me transformar. Marquei com a Lu e Patrícia para uma transformação.

Minha alegria de ver o Salão do Walter’s Coiffeur no segundo andar, do Plaza Shopping de Niterói, fez meu coração acelerar. Ia fazer minhas unhas das mãos e dos pés, e fazer meus cabelos.

Quando Lu e Patrícia me viram disseram que eu estava retornando a alegria! Sim! Lá me sinto feliz e bem! Leitores, não é fácil fazer a técnica que a Lu faz em meus cabelos!

Vou contar para vocês o passo a passo pelas fotos! Veja como ele estava! Vergonhoso, eu sei! Uiiiiiii! Ter cabelo de uma cor só é mais fácil, mas o que Lu faz, fica lindo e não consigo mais abdicar desta técnica. Hoje uso Ombré com mais luzes na frente, por causa dos cabelos brancos! fato que vocês podem ver pela fotos tiradas antes de Lu pegar meus cabelos. Horrível, não é?

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Perguntei a minha hairstyle se precisava cortar as pontas! Ela penteou e disse: Jana! Seu cabelo está bem tratado por causa das recomendações que te passei! Aguentou bem! Pontas perfeitas e certas. Vamos para o Ombré com mais clareamento na parte da frente para esconder os brancos que resolveram não te largar nunca mais! rsrsrsrs

 

 

São quase 50 minutos para tirar os brancos. E depois, lavamos com o lançamento da L’Óreal, o shampoo Pró-Keratin, para reconstruir e fortalecer os fios! Cheirinho gostoso de novo em meus cabelos! Me senti uma rainha por estar lavando os cabelos ali! Sem ser embaixo do chuveiro! E com shampoo novo no mercado!

 

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Segundo passo: voltei para a cadeira da Lu e sequei os cabelos para aplicação do Ombré e fazer mais mechas na frente para esconder os brancos. E isto foi um pedido meu! Mais ou menos uma hora para fazer o Ombré! Com todos os alumínios no cabelo, descolorando fiquei mais de 30 minutos no intensificador para acelerar o processo!

 

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Terceiro passo: voltei ao lavatório para tirar o alumínio! Dá para notar nas fotos que é alegria! Leitores, eu posso ficar o dia inteiro lá! Significar me cuidar! É #tudodebom. No próprio lavatório Lu aplica tonalizante para amenizar as mecha da frente e o tratamento com a ampola de super hidratação da Pro-Keratin, da L’Óreal! Dura pelo menos uns 15 minutos este processo.

 

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Quarto e último passo: escova e a transformação! Quer saber o que senti? Não tem palavras ara descrever o que sinto! Renovação, beleza, alegria, felicidade. Eu era outra e estava pronta para ir a noite de autógrafos da Míriam Leitão e encontrar amigos! Eu agora poderia olhar para o espelho sem ter vergonhas de minha imagem.

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Enquanto fazia todo este processo a Patrícia minha manicure, minha handstyle, transformava minhas mãos e pés. E realmente eu estava com outros pés e mãos, como vocês podem ver pelas fotos do antes e depois. Meus pés são outros e minhas mãos? Optamos por um bege, pois quando estou com as unhas curtas gosto de um bege nas mãos. Patrícia sempre diz: fica com as mãos limpas! E elas estavam limpas e lindas.

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Sai do Salão me achando é claro! Eu entrei um lixo e saí uma artista de Hollywood e é assim que as mulheres devem se sentir quando vão a um Salão de Beleza! Quando cheguei em casa minha mãe só disse duas palavras: Uauuu! Linda!

Eu sempre aconselho para minhas leitoras. Vá ao Salão para se tratar e se sentir bem! Muitas vezes é melhor do que psicólogo. Se você mora no Rio de Janeiro e não tem Salão certo eu indico de cara o Walter’s Coiffeur. Ele tem uma rede de Salões com os melhores profissionais! Todos treinados com as melhores técnicas do momento e sabem de todas as tendências. São ambientes lindos, e os frequentadores sempre pessoas que querem e sabem o que querem. Muitas celebridades vão ao do Barra Shopping e do Shopping Leblon, que por sinal é lindo!

Bem, eu deixei uma hairstyle que tratava de meus cabelos tinha mais de 20 anos para entregar a uma profissional do Walter’s e pode ter certeza, não me arrependi em nenhum momento. Difícil uma pessoa fazer o que fiz, mas o que eu via no Salão do Walter’s Coiffeur era tão seguro, que não contei até dez.

Obrigada ao Walter, a Keylla, a Lu, a Patrícia e a Angélica que sabendo do estado que eu estava tive um dia de rainha e uma noite gloriosa na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, com a noite de autógrafos da Míriam Leitão. Minhas unhas vou voltar a fazer semanalmente e a Lu, hidratação de 10 em dez dias e com as recomendações que ela me passou para fazer em casa. Ombré, em dois meses para não ficar o lixo que ficou. Acredito que até lá minha mãe já esteja de bengala para Lu, dar aquele trato especial e carinho que só ela sabe fazer!

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No dia seguinte, veja a minha alegria de estar na noite de autógrafos, da mega jornalista Míriam Leitão, que lançava seu primeiro romance “Tempos Extremos, na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon? Encontrei as queridas Cora Ronai e Flávia Oliveira, comentarista econômica do programa Studio i, do canal Globo News. Papo que rolou, livros, sapatos, novos celulares que irão chegar no mercado e boas gargalhadas!

Primeira foto: Eu com Míriam Leitão

Segunda foto eu e Flávia Oliveira

Terceira foto: Cora Ronai, Flávia Oliveira e eu.

Amei muito tudo isso!

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Que transformação!!!!!!!

Um castigo perfeito

Por que quando nascemos e crescemos aprendemos a NÃO escutar os nossos pais e principalmente, nossas mães? Sabe aquela frase que “mãe sabe de tudo e sempre tem razão”? Pois é! Fui descobrir que era verdade aos oito anos de idade.

Nós deveríamos nascer com um botão de obedecer e escutar sempre as mães, pois saiba: íamos nos dar bem! O que aconteceu? Eu que havia descoberto a beleza de tratar os cabelos no auge dos meus seis anos de idade, amar Salões de Beleza, e ainda, achar aquilo tudo uma festa, um belo dia desmoronou por pura teimosia.

Ir a praia era e ainda é, um passeio maravilhoso no verão para os cariocas. Meus pais sempre adoraram praia. Nada de farofada. Praia e depois um bom restaurante. Eu, meus oito anos já estava com cabelos longos, na cintura. Tinha o maior orgulho deles. Mas antes de entrar no carro e seguir para a praia, ganhei duas tranças bem feitas pela minha mãe no estilo Índia Americana, e uma recomendação expressa: “nada de rolar na areia mocinha!”.

A princesinha aqui, fez tudo ao contrário. Foi o mesmo que dizer: “role na areia mocinha!” Rolei como uma pobre criança que nunca viu o mar. Uma esbórnia! Fiquei um verdadeiro bife à milanesa, desde os pés até os longos cabelos. Uma vergonha, para uma mãe que é uma dama e em tudo. Ela por sua vez nada dizia. Somente de sua cadeira, tomava conta de mim, com os olhos semicerrados, como quem me avisava que em casa eu teria grandes problemas.

Não deu outra. No banho, quem disse que ela conseguia desembaraçar meus longos cabelos bem cuidados e desfazer as tranças cheias de areia? Minha mãe não teve conversa! Me arrumou e me levou ao Salão mais caro da Zona Norte de Niterói, onde nós morávamos e pediu a cabeleireira que cortasse meus cabelos.

 De olhos arregalados, no meio daquele Salão todo de madeira escura eu me olhei desesperada no espelho e vi a tesoura cortar bem rente a primeira trança e depois a segunda. O cabelo claro que ficou disforme. A cabelereira perguntou: “Qual o corte agora?”. Minha mãe respondeu sem hesitar: Elis Regina! 

 Vocês conseguem imaginar o meu estado de choque imediato e permanente? Acho que aquele corte foi traumatizante até para nossa famosa cantora. Era horrível, tenebroso, apavorante. Foi um pesadelo! Eu nem me mexia na cadeira. Só via as longas tranças nas mãos de minha mãe e o restante que sobrou em minha cabeça caindo no chão.

Quando tudo terminou, não havia shampoos bacanas, óleos ou máscaras e muito menos escovas que deixassem os cabelos perfeitos, como hoje em dia existem para um corte deste tipo. Era toca, rolinhos para cabelos e aquele secador horroroso da foto do post anterior.

Claro que cheguei chorando em casa. Eu era gordinha, baixinha e com um cabelo horrendo. Nem conseguia ver Elis Regina na TV e muito menos ouvir seus discos, pois me vinha sempre em mente a figura dela com os cabelos iguais aos meus. Meu pai quando me viu, quase desmaiou de susto e perguntou por que minha mãe havia feito aquilo? Um verdadeiro estrago! Só lembro minha mãe dizendo: “A culpa foi de sua filha, eu avisei!”.

Meu lindo cabelo repousava dentro de um saco e meses depois apareceu lisinho em forma de peruca, usado lindamente por minha mãe em festas e aniversários como aplique. Ele ficou longo. Até abaixo do pescoço. Meu cabelo virou um aplique!!!

Eu, é claro, fiquei traumatizada. Tenho fotos, mas impublicáveis (rs). Qual a mulher que fica bonita com este corte? Acho que são poucas e eu não era uma delas. Ainda mais na década de 70. Hoje com os tratamentos de cabelos eles ficam perfeitos em muitas mulheres. Lembro que naquela época, o cabelo ficava duro e enrolado. Eu ODIAVAAAAAA! Que castigo eu tinha recebido! Confesso que não me lembro do dia que fui para a escola. Acho que foi tão traumático que apaguei da memória. Melhor assim!

Quanto ao aplique, depois de anos, ele foi usado para uma justa causa e fico orgulhosa de ter contribuído para isto. Ajudou na recuperação de minha Tia materna, cunhada de minha mãe, que teve um tumor no cérebro e raspou todo o cabelo. Ela usava o aplique com um lenço na frente. Ficava muito bonita.

Com o tempo, meus cabelos cresceram, novidades foram aparecendo. Como o Neutrox para banho e praia (rs), escovas redondas, tocas, truques e mais truques que eu e minhas amigas trocávamos. Usar óleo Johnson não somente no corpo, mas também nos cabelos, passá-los com ferro elétrico para deixá-los lisinhos, etc. Maluquices que hoje nunca faria. Mas que deixaram lembranças maravilhosas.

E o aplique ele ainda existe? Não! Meus lindos cabelos em aplique desapareceram com o tempo. Sei lá onde ele foi parar. Minha Tia não se lembra. Era o único material prova viva com a cor natural de meus cabelos. Como ele realmente era.

E a lição aprendida: Nunca mais desobedecer minha mãe e saber observar seus sinais e escutar muito bem seus conselhos. Não posso culpar o Salão de Beleza e sim, a minha teimosia. Voltei a amar os salões e a frequentá-los. E é claro, se a tivesse escutado não teria uma foto infame em preto e branco, de minha persona, com os cabelos tipo Elis Regina, segurando uma florzinha em um álbum de família. (rs)

Só me restou aprender com a Elis o que ela canta nesta música:

Batismo de Beleza

“Quem sai aos seus não degenera.”

Este ditado é certíssimo. Saí da barriga de uma mulher poderosa, forte e super, super vaidosa. Não dava para ser diferente! Desde pequena via fotos de minha mãe e ficava admirada com tanta vaidade, tantas poses sexys e tantos vestidos apertados para mostrar o corpinho lindo da mulher da década de 40/50. Cabelos enrolados (papelotes ou rolinhos para cabelos), lisos (touca), unhas vermelhas, assim ela me dizia que era, pois as fotos sempre foram em preto e branco. Uma mulher que sabia viver a vida. Na época participava de bailes de formaturas e sempre era chamada pelos cadetes por sua postura, sua segurança. E ser chamada por um cadete para dançar era uma das maiores honras de uma mulher solteira. Era a sorte grande nos bailes regados ao som da orquestra Tabajara.

Dançava pelos bailes com saias rodadas os tangos, rocks, salsa, valsa. Não tinha para ninguém conta minhas tias e amigos. Às vezes só dava ela no salão. De uma família de cinco irmãos, sendo quatro mulheres e um homem, minha mãe teve poucas roupas de baile. Ela reformava ou usava vestidos emprestados das amigas, mesmo que eles fossem repetidos. O importante era dançar, fazer o que mais gostava.

Não se casou com um cadete. Foi com um tenente, já na reserva. Meu pai. Foi uma linda noiva, mas minha mãe com os cabelos curtinhos, não tinha como segurar a longa grinalda. Sempre cheia de ideias, arranjou logo um jeito de prender o adereço com quatro rolinhos de cabelo com a parte mais cheia do cabelo que era na frente. Não é que deu certo? Fico até hoje procurando na foto os rolinhos e acho uma lenda, mas como minha mãe tem uma imaginação e solução para tudo, difícil não acreditar.

Meu pai era outro vaidoso. Adorava combinar as roupas e principalmente cheirar bem. Lembro de meu pai depois do banho. Espalhava água de cheiro por todo o corpo. Confesso que hoje, certamente ele levaria uma bronca, pois não precisava tanto, mas nunca soube de um homem tão mais cheiroso que ele.

Os dois formavam um casal maravilhoso. Minha mãe, nunca foi daquelas mulheres desleixadas depois do casamento e sempre usava a seguinte frase: “Se vai à padaria, não se esqueça de passar um batom, pois o príncipe encantado pode estar depois da esquina.”  Ela tem razão. Olheiras e cara lavada é a pior coisa do mundo.

E a vaidade só foi aumentando com o tempo. Nunca vi minha mãe sem estar com as unhas pintadas ou o cabelo desgrenhado.

Salões de beleza antigamente eram pequenos e raros. E a primeira lembrança que tenho é dela frequentando o Salão de um dos maiores cabelereiros que Niterói conhecia: o Dede’s cabelereiros. Eu o achava o máximo.

Ele lavava os cabelos de minha mãe, arrepiava com o pente e depois arrumava com as mãos, os negros cabelos afofando e fazendo um bonito coque no alto da cabeça. Como os penteados das mulheres do século XIX. Era chique demais.

Eu, com seis anos, e cabelos na cintura era tratada com carinho pelos cabelereiros aprendizes. Meu batismo foi no Salão dele, sendo tratada como uma princesinha e aprendendo com Dedé e com minha mãe que beleza você pode não ter, mas deve se tratar sempre, se amar, se cuidar. Eu adorava aquele burburinho de mulheres, conversando, trocando ideias, falando de suas vidas, de seus casamentos, de seus cabelos, de suas unhas, de seus filhos, enquanto se arrumavam.

Era uma agitação de alegria e ainda por cima, terapêutica. Noivas, mães de noivas, madrinhas, mulheres querendo se arrumar para casamentos, seus namorados, noivos, maridos ou somente para elas mesmas. Eu já achava terapêutico e acho até hoje. Chegava sempre no colégio na segunda-feira feliz da vida porque um dos meus programas favoritos era ir ao Salão de Beleza com minha mãe.

E foi assim que minha paixão por tudo que é ligado a beleza e a moda começou. Minha mãe mostrou que com pouco dinheiro e muita imaginação você pode se transformar e sempre diz: “Não existe mulher feia, existe sim mulher relaxada”. Gordinhas, magrinhas, devem se amar e amar seus corpos e sempre existirá uma roupa ideal, um sapato glamoroso, um batom espetacular, uma máscara para o rosto, a depilação certa que a deixará ou o deixará mais feliz.

Vejo homens felizes da vida no Salão que frequento hoje. Fazem unhas e se depilam para se acharem mais bonitos.  São pais de famílias e querem se sentir limpos e bem para eles e para suas amadas.

Então, mulheres e homens, vamos aprender a ser mais vaidosos. Eu posso ensinar a vocês! Os homens também podem ser vaidosos e eu vou mostrar como isto pode acontecer. Não sou estilista, mas sim uma excelente observadora, apaixonada por produtos de beleza, sapatos, bolsas, roupas e sempre atenta as melhores tendências. Um exemplo: quem disse que uma sandália de dedo não tem seu charme? Com o passar do tempo, irei postar no blog combinações super legais e ainda continuar a contar minhas histórias, algumas engraçadas e desastrosas para descobrir o que seria melhor para mim.

A ideia é esta, transformar este blog em um grande livro de crônicas e dicas divertidas e boas para ambos os sexos.

Sejam bem vindos e espero que gostem de minha nova jornada!